Comer emoções não é falta de controle, e é mais comum do que parece.
Em momentos de estresse, ansiedade ou cansaço emocional, muitas pessoas recorrem à comida como forma de alívio, conforto ou distração, sem perceber que estão tentando regular emoções através da alimentação.
Quando a comida deixa de ser apenas alimento
Comer emoções acontece quando o alimento passa a ser utilizado como uma forma de regular estados emocionais difíceis, como ansiedade, estresse, frustração, solidão ou cansaço mental.
Nesses momentos, o corpo não está pedindo nutrientes. Ele está tentando aliviar uma sensação interna que parece grande demais para ser sustentada.
O problema é que esse alívio é temporário. Logo depois, surgem culpa, arrependimento e a sensação de perda de controle, reforçando um ciclo que se repete.
Quando o padrão de comer emoções se repete, a relação com a alimentação deixa de ser apenas nutricional e passa a ser emocional, criando ciclos difíceis de quebrar sem apoio.
Por que recorremos à comida como refúgio emocional?
Do ponto de vista psicológico, o cérebro aprende rápido o que traz conforto imediato. Alimentos, especialmente os ricos em açúcar e gordura, ativam sistemas de recompensa que geram uma sensação breve de bem-estar.
Com o tempo, o organismo passa a associar emoções difíceis à necessidade de comer, criando um padrão automático. Esse comportamento não acontece por escolha consciente, mas por condicionamento emocional.
Entre os gatilhos mais comuns estão:
Ansiedade e tensão constante
Sensação de vazio emocional
Sobrecarga mental e exaustão
Dificuldade em reconhecer ou expressar sentimentos
Rotinas muito rígidas ou controladoras
Comer emoções não é o problema, é o sinal
O ato de comer em resposta às emoções não é, em si, o maior problema. Ele é um sinal de que algo precisa de atenção.
Quando a comida vira refúgio, geralmente existe uma dificuldade em identificar, tolerar ou lidar com determinados estados emocionais. O alimento entra como uma solução rápida para algo que não foi nomeado.
Ignorar esse sinal ou tentar resolvê-lo apenas com restrições alimentares costuma intensificar o sofrimento e fortalecer o ciclo de compulsão e culpa.
A relação entre hábitos emocionais e mudança sustentável
Muitas pessoas tentam mudar esse padrão apenas com regras externas. Dietas rígidas, controle excessivo ou metas irreais costumam falhar porque não atuam na raiz do comportamento.
A mudança real acontece quando a pessoa aprende a reconhecer o que sente antes de comer, identifica seus gatilhos emocionais e desenvolve novas formas de cuidado consigo mesma.
Isso exige autoconhecimento, treino emocional e construção de estratégias mais saudáveis de regulação.
Como a psicoterapia pode ajudar
Na psicoterapia, especialmente em abordagens baseadas em evidências como a Terapia Cognitivo-Comportamental e a DBT, o foco não está em proibir alimentos, mas em compreender a função emocional que eles ocupam.
O processo terapêutico ajuda a:
Identificar padrões automáticos de alimentação emocional
Reconhecer emoções que antecedem o comportamento alimentar
Desenvolver alternativas mais eficazes de regulação emocional
Reduzir a culpa e a autocrítica associadas à alimentação
Construir uma relação mais consciente com o corpo e com a comida
Quando a emoção é compreendida e validada, a necessidade de usar a comida como refúgio diminui naturalmente.
A mudança começa por dentro
Comer emoções não define quem você é. É apenas uma estratégia que seu corpo encontrou para lidar com algo difícil.
Ao invés de lutar contra esse comportamento, o caminho mais sustentável é entender o que ele está tentando comunicar. A partir desse entendimento, novas escolhas se tornam possíveis.
Se você sente que a comida tem ocupado esse lugar de refúgio na sua vida, buscar ajuda profissional pode ser um passo importante para transformar essa relação com mais consciência e menos sofrimento.
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Valéria Noronha
Psicóloga | CRP
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Formação em Terapia Comportamental Dialética (DBT) e Perdas e Luto
📍Atendimentos online @psivalerianoronha
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